24/11/2012

Liberdade.

“Em tempo de vacas magras maxixe é iguaria”, diz o ditado popular… Em tempo de falta de inspiração a contribuição de amigos é providencial, digo eu.

Reproduzo, na íntegra, post enviado por um desses amigos:

LIÇÃO AOS PAIS

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“Deixe que o menino mergulhe na vida

com o corpo livre e a alma limpa.

Tranque seus conceitos no fundo da arca,

ideal caduco, inútil sucata.

Que ele não repita sua vida parca.

Passe sete chaves para que nem um som escape.

Não deixe que repita sua vida escassa,

cultura viciada, áspera escarpa.

Não queira enquadrá-lo nos padrões vigentes

de uma sociedade suja e mercenária

que tem por medida de felicidade a conta bancária.

Deixe-o pássaro, não um cidadão

de um mundo tirano, só pagando imposto

taxa sobre taxa, consumindo grife, mastigando tralha.

Deixe que cultive ócio, amor, carinho.

Que odeie o ódio, ópio, colarinho.

Que ande descalço, mesmo se o caminho

for de asfalto quente, pedras e espinho.

Ele saberá, o instinto ensina,

a pisar de leve, a saltar por cima,

a pisar na sombra, levitar no espaço

a sempre evitar o trajeto escuso,

a iluminar o caminho escuro.

Tenha sempre em mente, desperto ou

no sonho, que desse menino, você não é o dono.

Não é proprietário da vida exultante,

no corpo e na alma de um ser pulsante.

Ele é o senhor do próprio destino,

do tino, canção transformada em

hino de sua emoção, herói, paladino.

Respeite esse homem

que é ser menino, ou essa menina,

que sendo mulher, será nesta vida

o que ela quiser.

E jamais esqueça: em qualquer idade,

a felicidade tem um nome santo:

Santa Liberdade.”

Reynaldo Jardim

Lembrei-me do livro Escuta Zé Ninguém de Wilhelm Reich.

08/09/2012

Sem comentários.

Na publicação, “Conversa pra boi dormir”, de 22 de julho passado escrevi: “Vejo que naquelas decisões que lhes cabem: como em quem votar, que carro comprar, que combustível usar,  que roupa vestir, o que fazer com seus lixos,…”.DSCF8957 - web

A imagem ao lado foi “clicada” há uma semana, no Chile, após visita de turistas à cordilheira dos Andes.

É preciso dizer mais alguma coisa?

15/08/2012

Autoestima.

Um artigo de Luiz Felipe Pondé, publicado na Folha de São Paulo do dia 16 de abril de 2012, faz referência ao jornal britânico “The Guardian” que, em 22 de março deste ano, publicou matéria dedicada a pesquisas sobre  o Facebook.   Leia na íntegra.

Do referido artigo destaco três parágrafos:

- “Em 1979, o historiador americano Christopher Lasch (1932-94) publicava seu best-seller acadêmico “A Cultura do Narcisismo”, um livro essencial para pensarmos o comportamento no final de século 20. Ali, o autor identificava o traço narcísico de nossa era: carência, adolescência tardia, incapacidade de assumir a paternidade ou maternidade, pavor do envelhecimento, enfim, uma alma ridiculamente infantil num corpo de adulto."

- “Segundo a pesquisa da Universidade de Western Illinois (EUA), discutida pelo periódico britânico, “um senso de merecimento de respeito, desejo de manipulação e de tirar vantagens dos outros” marca esses bebês grandes do mundo contemporâneo,” ...

-  “Segundo o periódico britânico, a assistente social Carol Craig, chefe do Centro para Confiança e Bem-estar, disse que os jovens britânicos estão cada vez mais narcisistas e reconhece que há uma tendência da educação infantil hoje em dia, importada dos EUA para o Reino Unido (no Brasil, estamos na mesma...), a educar as crianças cada vez mais para a autoestima. ”

Eis aí, confirmada e materializada, a sabedoria popular do ditado “Quem nunca comeu mel, quando come se lambuza.”… Parece, de acordo com as pesquisas, que caminhamos, num espaço de tempo muito curto, da ausência de autoestima dos tempos da palmatória à autoestima exagerada e lambuzada destes tempos do pode tudo.

Será que “O tiro saiu pela culatra”?

22/07/2012

“Conversa pra boi dormir”.

Um amigo enviou-me o link de um artigo de Leonardo Boff, sobre a Rio + 20, publicado em 12/07 no Jornal do Brasil, intitulado - O impossível pacto entre o lobo e o cordeiro. Leia na íntegra.

Ao ler o artigo uma frase chamou-me particularmente a atenção: “Os que decidem não dão a mínima atenção aos alertas da comunidade científica mundial.”. E perguntas ficaram a bailar em meu cérebro:

E os que não decidem, dão atenção a esses alertas?

Diante de um comportamento popular ambientalista os que decidem se veriam compelidos a repensar decisões?

Não trafego pelas cúpulas onde grandes decisões são engendradas, estou mais próximo dos que decidem apenas à respeito da própria vida e, assim como me observo, os observo e vejo: Vejo que naquelas decisões que lhes cabem: como em quem votar, que carro comprar, que combustível usar,  que roupa vestir, o que fazer com seus lixos, varrer com vassoura ou com mangueira d’água as calçadas de suas casas – lavando ruavejo pessoas varrendo com água tratada até ruas asfaltadas - por essas e dezenas de outras decisões que tomam vejo que muitos não dão a mínima atenção àqueles alertas e temo, cético que sou neste aspecto, que sejam a maioria.

E, num cenário como este, onde os que não decidem parece não se importarem e os que decidem não se importam, não há muito que os que se importam possam efetivamente fazer para evitar que a Rio + 20 se transforme em “conversa pra boi dormir”.

INFELIZMENTE!

10/07/2012

A fila sempre anda.

Dia desses, ao rever anotações sobre ansiedade e depressão, me veio à mente recordações de quando adolescente.

Tinha treze anos quando, juntando ‘dinheirinhos’ por meses, consegui comprar uma vara de pescar de nylon e um molinete que, diga-se de passagem, era para canhotos... A ansiedade não me deixou analisar corretamente minha compra como também não me deixava dormir; ficava deitado de olhos fechados imaginando como seria, no final de semana, nos córregos da fazenda de meu pai, a pesca de bagres e mandis, alimentando a esperança de que a sorte me brindasse com um ou dois piaus; e rolava na cama como os peixes no meu bornal.

O que eu não previra, na ânsia de possuir um molinete, é que para a pesca em córregos, na qual me esgueirava por entre a vegetação para alcançar bons poços, o uso de molinete não era adequado; ao tentar lançar o anzolcórrego a vara esbarrava na folhagem atrás de mim e o lançamento era imperfeito, raramente atingia o ponto desejado e na maioria das vezes o anzol se prendia, por várias vezes me obrigando a entrar na água para soltá-lo e, cabisbaixo, voltei para casa com duas piabinhas no bornal.

As semanas seguintes foram de puras frustração e  tristeza -  tanto esforço para nada -  também não dormia pensando no que se passara; talvez nos dias de hoje fosse diagnosticado como deprimido; naqueles tempos era apenas tristeza com coisas do dia a dia e que logo passaria, como de fato passou.

Nunca mais usei o molinete, a vara ainda tentei usar mas o velho caniço de bambu era melhor para aquele tipo de pesca e me reconciliei com ele… Tempos depois dei-os de presente, não lembro para quem; meu interesse por eles desapareceu junto com meu interesse pela pesca e a fila andou… A fila sempre anda.

30/06/2012

Chuva de tempo certo.

Madrugada…

Acordo com o barulho de chuva fora de tempo…Música para os corações roceiros e indagação para as mentes citadinas…

Para que servem as chuvas tardias?

Para tudo que tem vida e até para o que não tem, respondo; e principalmente para as plantas que não floresceram com as chuvas de temporada…Oportunidade de cumprir a função a que vieram e não fenecer na aridez. 

Fico a pensar que chuva; não importa se temporã, de temporada ou tardia é sempre de tempo certo e é, para a terra, o mesmo que bons relacionamentos para nós; faz brotar e florescer o que está no ponto e só precisa de rega.image

 

 

 Três amigos na chuva_Luisa Artèsa.

21/06/2012

Ideal x Possível.

Estou gostando dos retornos à respeito da palestra Saúde um/em Movimento, mas – nada é perfeito – esqueci de abordar um tema importante; o conceito de ideal.

Temos conceitos de ideal para tudo: Cônjuge ideal, amigo ideal, parente ideal, viagem ideal, filme e livro ideais, carro ideal, a lista é infinita… mas quantas vezes atingimos essas expectativas? Muito raramente e/ou por curto espaço de tempo e logo que surgem imperfeições no idealizado dizemos frases como:

– A viagem foi ótima, pena que choveu naquele final de semana.

– Filme muito bom, mas acho que seria melhor se fosse com o ator tal.

– Este carro seria perfeito se tivesse tal acessório.

–Nunca pensei que fulano(a) pensasse assim.

– A palestra teria sido melhor se eu não houvesse esquecido disto.

E a frustração varia de pequena a enorme, dependendo da pessoa e das circunstâncias, mas é sempre um desconforto e um obstáculo à saúde.

Devemos, portanto, abdicar do que consideramos ideal?

Absolutamente! Devemos mudar nosso conceito e considerar o ideal como uma meta, como um objetivo a ser alcançado, não como imprescindível à nossa felicidade. Por difícil que seja devemos tentar agir sob a visão pragmática de que quando o ideal imaginado não é possível, o melhor possível, porém real, se torna automaticamente o ideal.

25/05/2012

Lavagem cerebral.

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Na minha infância não tínhamos televisão em casa. Minha mãe ouvia novelas pelo rádio e eu - pois criança ouve tudo, mesmo sem querer - também ouvia... Uma daquelas novelas falava de comunistas, de prisões, de torturas e de lavagem cerebral... Eu imaginava o que poderia ser uma lavagem cerebral e um medo desmedido se apossava de mim e desejava, profundamente, jamais ser vitima de uma. O tempo passou... tal novela terminou... outras se sucederam e as lembranças foram sendo paulatinamente soterradas e, com elas, o medo.

Hoje o a expressão “lavagem cerebral” foi substituída por “fazer a cabeça” e faz parte do nosso cotidiano, sendo ferramenta de marketing usada em praticamente toda campanha publicitária; mas não sinto medo, aprendi a neutralizar seu assédio... O que sinto é tristeza, ao constatar o efeito que esse “fazer a cabeça” hipnótico causa nas pessoas, mas também sinto indignação, principalmente quando o alvo é a saúde.

Neste momento, estou indignado! Recebi de um colega a indicação de uma publicação que é iniciada assim:

“Se há um remédio capaz de gerar lucros, deve haver consumidores”. O que as corporações querem que você compre agora.                  Leia mais.

Indignação à parte, devemos reconhecer a "esperteza” de tal procedimento; o ser humano doente, ou que se julga doente, está sob o domínio do medo e totalmente vulnerável, existe momento melhor para lhe “fazer a cabeça”?

05/05/2012

Infertilidade / Cuidados.

Recebo, regularmente, artigos publicados pela revista francesa Sante e Nutrition; um deles chamou-me particularmente a atenção  por conta do título Le Wi-Fi brûle les testicules (Wi-Fi queima os testículos).

Referido artigo versa sobre estudos que revelam que o calor gerado pelos computadores portáteis, quando usados sobre o colo, eleva a temperatura da bolsa escrotal dos usuários  em até 2,88º C, o que “pode ​​ter um impacto negativo sobre a espermatogênese, especialmente em adolescentes e jovens".

Os estudos ainda mostram que o calor também pode reduzir a motilidade dos espermatozoides e provocar um aumento na fragmentação do DNA e, portanto, uma alteração do código genético; tudo isso levando à redução da fertilidade. Apesar de ser por motivos diferentes “O efeito é quase certamente o mesmo que para os homens que carregam um celular no bolso de suas calças” escrevem os autores do artigo, que o concluem com a orientação de que os computadores devem ser usados sobre mesas e que os celulares não sejam levadosComp colo nos bolsos das calças ou que então sejam desligados.

Esses estudos foram realizados com homens, mas me pergunto se os cuidados não podem ser estendidos às mulheres; não com relação ao calor, que dificilmente atingiria os ovários; mas com relação aos campos magnéticos emitidos por tais aparelhos. Afinal de contas “seguro morreu de velho”.

06/04/2012

SAÚDE… um/em MOVIMENTO.

Sinto-me lisonjeado! Silvia S. Sant’Anna convidou-me para, novamente, participar de seu projeto Filosofando Agora, que este ano traz à cena o pensamento do filósofo grego Heráclito; e como a própria Silvia escreveu, “A ideia principal do pensamento de Heráclito é a do movimento, do eterno fluir, da mudança, do devir.”

Esse conceito de movimento, de nada estático e definitivo, é a condição de tudo… terreno propicio para se falar de saúde, ou melhor, da busca por ela; mesmo porque, as mudanças aceleradas nestes tempos modernos podem fazer com que situações e opiniões equivocadas porém frequentes se estabeleçam como normais.

Ir ao médico

Ainda não tenho a data, não sei se palestrarei ou se eu e os que lá estiverem palestraremos, certo é que aceitei o convite e nomeei a ocasião: SAÚDE… um/em MOVIMENTO.   

 

Sintam-se, antecipadamente, convidados.

“O cara só é sinceramente ateu quando está muito bem de saúde.”
Millôr Fernandes.